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Minha opinião sobre a administração Miguel Fernandez

O início: um candidato inesperado

Conheci o Engenheiro Miguel em 2007, mas não me aproximei dele, quando ainda funcionário da CEDAE e decidiu concorrer às eleições do CREARJ. Para recordar, em 2007 os concorrentes eram: Jose Chacon, Agostinho Guerreiro, Reynaldo Barros e Miguel Fernandez. Miguel era um engenheiro iniciante na CEDAE. Daí minha estranheza naquela decisão, pois não tinha apresentado nada na área política, nada na área técnica de saneamento, muito menos era conhecido entre os profissionais do Estado do Rio de Janeiro.

Mas, posteriormente, entendi — pois o estudante Miguel Fernandez tinha sido uma descoberta do Engenheiro Reynaldo Barros. Reynaldo trouxe Miguel e o colocou como Coordenador do CREARJ Jovem ainda no início dos anos 2000, quando ele ainda era estudante de Engenharia. Miguel espertamente, em cima de uma proposta aparentemente revolucionária, procurou fazer a campanha para jovens engenheiros, tentando se beneficiar da sua passagem pouco expressiva no CREARJ Jovem.

Vale acrescentar que, naquele momento, a votação era realizada com colocação de votos de papel nas urnas instaladas nas regionais do CREARJ e também nas empresas onde estivesse um mínimo de profissionais do Sistema. Posteriormente, as urnas eram encaminhadas para a sede do CREARJ e apuradas. Vale registrar que esta mecânica de votação foi proposta e defendida por mim, quando conselheiro representante do SENGERJ, no plenário do CREARJ.

Após a apuração, o Engenheiro Miguel Fernandez conseguiu um quarto lugar honroso. Então o Engenheiro Miguel Fernandez desapareceu do Sistema até 2013, quando começou a circular pelas instalações do SENGERJ, convidado por algum diretor. Na eleição de 2013, não sei por quem, o Engenheiro Miguel Fernandez foi convidado e apoiou o Engenheiro Luiz Cosenza, candidato do SENGERJ. O Engenheiro Cosenza perdeu as eleições, e o Engenheiro Miguel Fernandez desapareceu de novo do Sistema.


O retorno em 2023

Chegaram as eleições de 2023 e, como fênix, o Engenheiro Miguel reapareceu como um outsider. Nesta época eu estava no SENGERJ. Como sabia da incompetência dos diretores do Sindicato em gerar ou preparar um candidato para qualquer eleição, comecei a procurar dirigentes de entidades para conversar. Aí procurei o Engenheiro Miguel.

Encontrei-o como Presidente da ABESRJ, que estava tentando soerguer. Conversamos duas vezes, quando afirmou que não tinha nenhum interesse em ser Presidente do CREARJ e que estava conversando com os Engenheiros Reynaldo e Chico Rico — e estes estavam inclinados a indicar o Engenheiro Felipe Brasil ou o Engenheiro Lucio Bandeira. Então me disse que seu maior interesse era ser Presidente da ABESRJ.

Bom, me surpreendi quando tomei ciência de que o Engenheiro Miguel se lançou à Presidência do CREARJ. Até porque ele nunca tinha sido conselheiro, nunca tinha representado a ABESRJ no plenário do CREARJ. Me parecia um peixe fora d’água, que sequer sabia o nome da rua onde o CREARJ está localizado. Surpreendentemente, o Engenheiro Miguel se elegeu Presidente do CREARJ.


A herança recebida

O Engenheiro Cosenza, do alto do seu desequilíbrio intelectual, deixou o CREARJ superavitário do ponto de vista financeiro, enxugado com relação aos funcionários e sem dívida de acontecimento urgente. Um maná de herança política. Coisa de pai para filho.

“Não podemos mais eleger para Presidente do CREARJ gente estranha ou inexperiente.”— Tri-Presidente Reynaldo Barros, no podcast Papo de Engenharia


O que o Engenheiro Miguel realizou nestes três anos de administração?

Praticamente nada. Trata-se de uma gestão de pouca criatividade, pouca luta, sem nenhum avanço significativo — faz mais do mesmo. Uma almofadinha, um nerd. Réplica das gestões dos Engenheiros Reynaldo, Agostinho e Cosenza, realizando festas e eventos, financiando congressos, seminários e workshops das modalidades do Sistema. O que é obrigação. Trata-se de uma gestão equivalente a “um museu de grandes novidades”.

Pior: discutiu a alteração da Lei 5.194/66, por meio do PL 1.024/20, sem nenhuma consulta aos profissionais vinculados ao Sistema no ERJ. Uma malandragem, com a inclusão no PL de vários jabutis e jabuticabas para beneficiar os Presidentes de CREA. Mais clamoroso ainda foi se aliar, desde o primeiro dia de seu mandato, ao Governo Cláudio Castro — caçado pelo TSE, que espertamente renunciou. Mais ainda, como na gestão do Engenheiro Cosenza, o Engenheiro Miguel teve um desastroso gerenciamento no setor de TI do CREARJ.

Não se apresentou em nenhuma — ou foi sofrível nas — discussões sobre as questões que mais afligem a Engenharia. Vou destacar algumas:

  • Não se envolveu na discussão da Educação fundamental e médio, que prejudicam os ingressantes nos cursos;
  • Não discutiu a grande evasão nas escolas;
  • Vagas para graduação não preenchidas nas escolas;
  • Graduamos menos engenheiros a cada ano;
  • Jovens resistentes a se graduar em Engenharia;
  • Propor renovação na constituição da plenária;
  • Propor novas instalações para potencializar e trazer a participação dos profissionais;
  • Não procurou ajudar os profissionais desempregados;
  • Não ajudou aos profissionais 60+;
  • Não visitou os profissionais dos diversos municípios do ERJ;
  • Não teve programa para modernização da TI;
  • Teve ação pífia na política salarial dos engenheiros da área pública ou privada.

O Presidente Miguel foi pouco produtivo, mesmo com um volume astronômico de recursos financeiros deixado pelo incompetente Presidente Cosenza.

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